#065 - Radioatividade do Sal Rosa #2

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O objetivo desta postagem é mostrar o segundo conjunto de ensaios da radioatividade do sal rosa do Himalaia usando uma técnica mais sensível de detecção.

Escrito e desenvolvido por Léo Corradini

Veja o primeiro ensaio aqui:
https://potassio-40.blogspot.com.br/2017/11/a-titulo-de-curiosidade-estou-fazendo.html

Nestes novos ensaios, a válvula Geiger-Müller foi totalmente envolvida pelas amostras de sal.




A intenção foi aumentar a sensibilidade do teste em função do aumento da área de exposição do sensor.

Foram usadas as mesmas amostras do teste anterior.

Ou seja:

- 97g de sal rosa
- 97g de sal comum 
- 97g de sal light 
- Um ensaio em branco. 

O ensaio em branco é conduzido nas mesmas condições, porém sem a presença de sal, o valor desse ensaio é a radiação de fundo.
O sal light é composto por 50% de cloreto de sódio e 50% de cloreto de potássio.
O potássio é radioativo (emite Beta e Gama) então, podemos esperar um número maior de eventos de radiação neste ensaio.


Resultados:

- Sal rosa do Himalaia - 28948 eventos em 1594 minutos -> 18,16 CPM
- Sal comum - 26049 eventos em 1444 minutos -> 18,04 CPM
- Sal light - 72899 eventos em 1440 minutos -> 50,62 CPM
- Ensaio em branco - 28082 eventos em 1448 minutos -> 19,39 CPM


Podemos observar um aumento expressivo das contagens no sal light, consequência da maior área de exposição da válvula.

Neste ensaio também observamos o efeito blindagem de forma um pouco mais pronunciada.
O efeito blindagem ocorre quando colocamos um material pouco radioativo sobre ou próximo da válvula Geiger. 
Esse material, no nosso caso o sal, serviu de blindagem para a radiação de fundo.

O teste em branco ou de radiação de fundo apresentou um valor um pouco maior que no primeiro ensaio porque esses novos ensaios foram feitos fora da lata.

Podemos dizer que o sal rosa é um pouco mais radioativo que o sal comum, provavelmente devido a uma quantidade maior de potássio.

Serão necessários mais ensaios para confirmar esta hipótese.



O contador Geiger usado nesse ensaio foi por mim projetado especificamente para a medição de pequenos níveis de radiação.
Usei uma válvula Geiger-Müller modelo LND-712 com janela de mica (permite também a detecção das partículas Alfa) polarizada com 500 volts.




Podemos comparar a válvula Geiger a um interruptor que se fecha toda vez que uma partícula Beta, Alfa ou um fóton de radiação Gama penetra em seu interior.




Por um artifício eletrônico esse fechamento gera um pulso de tensão que é amplificado e aciona um contador digital de forma a totalizar todos os eventos de radiação que a válvula detectar.

O totalizador mostra um número que é a soma de todos os eventos de radiação sejam eles Alfa, Beta ou Gama.
Cada ensaio teve duração de 24 horas, a unidade usada é CPM (Contagens Por Minuto)(*).
Para calcular os resultados em CPM basta dividir o valor totalizado no display pelo tempo de ensaio em minutos.

o caráter aleatório do fenômeno da emissão radioativa torna medidas de curta duração um tanto erráticas.
Em função desse comportamento, médias produzidas por totalizações de longa duração dão valores mais consistentes.
Isso é particularmente importante para a medição de níveis baixos de radiação.
Assim, podemos dizer que os resultados dos ensaios são médias de 1440 leituras.

(*) Para a válvula LND-712 um nível de 100 CPM corresponde a 1 µSv/h. 
Para se ter uma ideia, a bionerd23, que faz pesquisas em Chernobyl, mediu a radioatividade do solo com três aparelhos diferentes e obteve 16,5 µSv/h, 19,69 µSv/h e 19,86 µSv/h. 
Neste ensaio, a radiação de fundo foi de 0,19 µSv/h.  




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