Chumbo na fumaça

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Acredito que muitos de nós que fazemos com alguma frequência montagens de dispositivos eletrônicos já tivemos a preocupação com a fumaça gerada pelo contato do soldador com a solda que usa o chumbo em sua liga.

 Escrito e desenvolvido por Léo Corradini

O objetivo deste ensaio é tentar detectar chumbo na fumaça produzida pelo fluxo de solda no momento da fusão.

O fluxo, que é colocado no núcleo das ligas de solda de estanho/chumbo, facilita a soldagem porque retira a camada de óxido dos metais que serão unidos.

Existem basicamente dois tipos de fluxo que são colocados no interior da liga de solda, o breu e o chamado fluxo "no-clean".  

O breu é, certamente, o mais tradicional fluxo para soldagem de componentes eletrônicos.

Ele é composto principalmente pelo Ácido Abiético com ponto de fusão de 172°C que é muito estável e tem boa isolação elétrica em baixa temperatura. 
Porém, em temperaturas que na ponta do soldador pode oscilar entre 250 a 400°C, ele adquire a capacidade de retirar os óxidos que atrapalham a soldagem.
No entanto, depois que a solda esfria, restam resíduos que devem ser retirados com vários tipos de solventes, na bancada, geralmente usamos Álcool Isopropílico.

O fluxo "no-clean" é composto geralmente pelo Ácido Pimélico que é um ácido dicarboxílico com ponto de fusão de 105,8°C.
Por ser mais volátil sobra menos resíduo na região da solda, tornando desnecessária a limpeza posterior.     

Para fazer esse experimento usei o papel filtro Nalgon com porosidade 7,5 micra (faixa preta) montado na ponta da mangueira do aspirador de pó e aspirei a fumaça produzida pela solda com breu e a solda com fluxo "no-clean". 




Usando um soldador de 30W, derreti cerca de 1,5 gramas dos dois tipos de solda com um milímetro de diâmetro e liga 60% estanho/ 40% chumbo. 

Derreti as soldas bem próximas do papel para capturar o máximo de fumaça.




Recortei o papel que ficou exposto à fumaça e dividi em quatro partes.

Coloquei na placa de toque duas amostras de cada papel e, para comparação, mais dois pedaços com tamanhos semelhantes, porém sem a amostra de fumaça, um com 1µg e outro com 2µg de íons Pb2+. 




Pinguei uma gota de Ácido Acético 4% em cada amostra e depois mais uma gota de Rodizonato de Sódio 0,05%.




Como podemos observar na placa de toque, somente os papéis que receberam íons de chumbo produziram a cor magenta característica do Rodizonato de Chumbo.

Concluímos que a quantidade de chumbo arrastada pela fumaça é muito pequena e insuficiente para ser detectada por esse método. 

Estou desenvolvendo métodos mais sensíveis para detectar o chumbo na fumaça, futuramente postarei essas técnicas.

Veja também: Chumbo no sal rosa


Comentários

  1. Fauser Gustavo Russo Neves30 de novembro de 2017 05:23

    Acredito que o ponto de evaporação do chumbo não seja atingido sendo assim muito pouco dele se desprenda, porém um teste possível seria o de CONTATO, pois temos que segurar a solda para coloca-la no ferro e placa ..
    Você poderia fazer o teste por exemplo soldando os 14 pinos de um CI (como um LM324 que é muito comum), e após raspando os dedos no papel .. ou mesmo usando uma luva de papel e depois cortando as pontas dos dedos para fazer o teste, acredito que ai teremos sim resíduos.
    Inclusive eu testaria uma solda comum e uma leed-free do mercado para ver se realmente não possuem vestígio de chumbo.
    Ao que sei os fluxos são cancerígenos também ....
    Muito bom o artigo, feito de forma bem cientifica .. parabéns.

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    Respostas
    1. Fauser, o chumbo eventualmente carreado pela fumaça, está principalmente na forma de óxidos.
      Afinal, o fluxo é usado justamente para retirar a camada de óxidos de chumbo, óxidos de estanho da solda e também óxidos de cobre da PCI.

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  2. Muito bom! Primeira vez que vejo um experimento assim, estou ansioso por mais.

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  3. Existe estudos epidemiológicos que aponte doenças profissionais ligadas a esta exposição?

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  4. Ronisch, veja physiological effects:

    https://en.wikipedia.org/wiki/Lead(II,IV)_oxide

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