#032 - Radioatividade na Castanha do Pará #1

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É comum encontrarmos em paginas da internet alegações de que a Bertholletia excelsa ou Castanha do Pará (conhecida lá fora como Castanha do Brasil ou Brazil Nuts) tem uma radioatividade muito grande se comparada a de outros alimentos. 

 Escrito e desenvolvido por Léo Corradini

Um texto muito comum encontrado na net:

"As Bertholletia excelsa podem conter pequenas quantidades de rádio, um material radioativo. Embora a quantidade seja muito pequena, cerca de 1–7 pCi/g (40–260 Bq/kg), e a maior parte não fique retida no corpo, ela é mil vezes mais alta do que em outros alimentos. De acordo com as Universidades Associadas de Oak Ridge, isto não se deve a níveis elevados de rádio no solo, mas sim ao extremamente extenso sistema de raízes da árvore." 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bertholletia_excelsa

Então, decidi fazer um experimento; Coloquei 150 gramas dessa castanha sobre o contador Geiger-Müller, próximo à janela de mica.




A duração desse primeiro ensaio foi de 24 horas e o local escolhido foi sobre uma mesa onde os valores da radiação de fundo já são bem conhecidos (*).

Valores encontrados em CPM (contagens por minuto):

Radiação de fundo:

Valor mais alto = 21,5
Valor mais baixo = 21,0
Valor médio = 21,25 (7200 leituras)

 Radiação da castanha:

Valor mais alto = 21,4
Valor mais baixo = 20,8
Valor médio = 21,1 (1440 leituras)


Os valores encontrados demonstram que não foi possível detectar radioatividade extra nessa castanha, eles são tão baixos que se confundem com a oscilação da radiação de fundo.
Nem mesmo o Potássio existente (~700mg/100g) foi capaz de alterar significativamente as leituras.

Neste ensaio, também observamos o que eu costumo chamar de efeito blindagem de uma forma mais suave.

O efeito blindagem ocorre quando colocamos um material muito pouco radioativo sobre ou próximo da válvula Geiger. 
Os valores medidos tendem para números mais baixos que os da radiação de fundo.

Naturalmente, um contador Geiger não é a melhor escolha para esse tipo de medição, o ideal seria um contador de cintilação (um cristal cintilador associado a uma fotomultiplicadora).
Mas, podemos ficar tranquilos no que diz respeito aos textos mais sensacionalistas que alardeiam que ela é perigosamente radioativa.

(*) Isso é importante, porque várias medidas têm demonstrado que a radioatividade de fundo muda em função do local da medida, mesmo dentro de um cômodo.
No entanto, ela é relativamente estável naquele ponto. 





A título de comparação, a janela do contador Geiger foi exposta a 120 gramas de Cloreto de Potássio e resultou 40 CPM (média de 1440 leituras).
Para quem ainda não sabe, o Potássio tem uma pequena radioatividade natural.




Vista externa e interna do contador Geiger-Müller


Veja Também:


Comentários

  1. Muito legal!! E a banana? o sr já fez algum experimento com elas?

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    1. Ainda não Greg, mas essa fama está relacionada a uma outra, de que a banana é muito rica em potássio.

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  2. Eu ouvi/li que a banana tem muito potassio-40 , por isso a pergunta. Acho que pode ser uma idéia pra um post, não acha? Abraço.

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    Respostas
    1. Cada 100g de banana tem tipicamente 350 mg de potássio.
      A castanha do Pará tem mais (700mg/100g) e nem por isso deu leituras mais altas que a radiação de fundo.

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