#014 - Radioatividade no sal rosa #1


O objetivo desta postagem é mostrar o ensaio da radioatividade do sal rosa do Himalaia.

 Escrito e desenvolvido por Léo Corradini

O que motivou esse ensaio, além da curiosidade, é o fato de que os granitos avermelhados serem os mais radioativos, o mármore avermelhado também é radioativo.
Foram testados: 97g de sal rosa, 97g de sal comum, 97g de sal light e um ensaio em branco.
O ensaio em branco é conduzido nas mesmas condições, porém sem a presença de sal, o valor desse ensaio é a radiação de fundo.
 
O sal light é composto por 50% de cloreto de sódio e 50% de cloreto de potássio.
O potássio é radioativo (emite Beta e Gama) então, podemos esperar um número maior de eventos de radiação.
Serão no total oito ensaios, de duas formas distintas.
 
Os primeiros quatro ensaios já estão prontos, e consistiram em expor a janela de mica da válvula Geiger do contador aos três sais mais o ensaio em branco, foto da esquerda.
O contador Geiger usado nesse ensaio foi por mim projetado especificamente para a medição de pequenos níveis de radiação.
Usei uma válvula Geiger-Müller modelo LND-712 com janela de mica (permite também a detecção das partículas Alfa) polarizada com 500 volts.
 
Podemos comparar a válvula Geiger a um interruptor que se fecha toda vez que uma partícula Beta, Alfa ou um fóton de radiação Gama penetra em seu interior.
Por um artifício eletrônico esse fechamento gera um pulso de tensão que é amplificado e aciona um contador digital de forma a totalizar todos os eventos de radiação que a válvula detectar.
O totalizador mostra um número que é a soma de todos os eventos de radiação sejam eles Alfa, Beta ou Gama.
 
Cada ensaio teve duração de 24 horas, a unidade usada é CPM (Contagens Por Minuto)(*).
Para calcular os resultados em CPM basta dividir o valor totalizado no display pelo tempo de ensaio em minutos.
o caráter aleatório do fenômeno da emissão radioativa torna medidas de curta duração um tanto erráticas.
Em função desse comportamento, médias produzidas por totalizações de longa duração dão valores mais consistentes.
 
Isso é particularmente importante para a medição de níveis baixos de radiação.
Assim, podemos dizer que os resultados dos ensaios são médias de 1440 leituras.
A foto da direita mostra a outra forma de ensaio, nela a válvula Geiger foi envolvida pela amostra de sal.
Dessa maneira, espero aumentar a sensibilidade do teste em função do aumento da área de exposição do sensor.
 
Resultados dos primeiros quatro ensaios, usando o arranjo da foto da esquerda:
 
- Sal rosa do Himalaia - 26362 eventos em 1455 minutos -> 18,12 CPM
- Sal comum - 26135 eventos em 1457 minutos -> 17,94 CPM
- Sal light - 39439 eventos em 1441 minutos -> 27,37 CPM
- Ensaio em branco - 34347 eventos em 1894 minutos -> 18,13 CPM
 
Conclusão:
 
As diferenças neste ensaio, excetuando o sal light, são muito pequenas, então podemos dizer que o sal rosa não é radioativo.
 
(*) Para a válvula LND-712 um nível de 100 CPM corresponde a 1 µSv/h.
Para se ter uma ideia, a bionerd23, que faz pesquisas em Chernobyl, mediu a radioatividade do solo com três aparelhos diferentes e obteve 16,5 µSv/h, 19,69 µSv/h e 19,86 µSv/h.
Neste ensaio, a radiação de fundo foi de 0,18 µSv/h.

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